Este artigo é sobre Gestão

O valor Humano nas organizações

Daniel Nazaré do Prado

Head of People & ESG Qintess Latam

Publicado em
12 de Julho de 2021

Nós somos as pessoas, aquelas que mudarão completamente as organizações, porque em nossa forma mais arcaica está a chave, os relacionamentos humanos.

Existe um conjunto de pessoas que se relacionam, convivem e interagem quer sejam uma equipe ou apenas um grupo de pessoas, no entanto, eles usam recursos de natureza diversa cujo propósito é atingir certos objetivos e metas por meio de diferentes funções, posições e responsabilidades. Chamamos essa iniciativa social de Organização. As organizações são diversas de acordo com sua localização, tamanho, propriedade, propósito, estrutura, tais como:

- Sindicatos
- Partidos Políticos
- Empresas
- ONGs
- Clubes de esportes
- Estado
- Escolas
- Hospitais

Não podemos esquecer que essas mesmas organizações são representações do momento histórico e da cultura em que nasceram e estão imersas. Com a revolução industrial, a famosa lógica da produção transformou não só a maneira como as pessoas vivem, mas também a maneira como trabalham. As pessoas no modelo de gerenciamento 1.0 foram tratadas com um modelo de gerenciamento de comando, controle e substituição de peças. Uma pergunta sobre gestão de pessoas se encaixa muito bem aqui:

Podemos ter uma gestão objetiva sem objetificar as pessoas?

Supostamente dentro dessa visão de gestão 1.0 não podemos atingir esse objetivo, de ser objetivo sem objetificar as pessoas, pois essa lógica, como fazia no passado e ainda continua em algumas organizações, trata as pessoas como partes de uma máquina, quer dizer, como partes de uma engrenagem mecânica. A própria palavra quando nos referimos à gestão de pessoas no passado, “recursos humanos” é um teste que funcionou muito no final do século XIX e início do século XX, mas não é mais compatível com a inovação, criatividade e resolução de conflitos nas empresas. Precisamos nos esforçar para criar e inovar um conceito que nos defina como pessoas em organizações onde podemos superar nossas fragilidades, também agora descobertas pela pandemia. Merecemos um nome que nos defina de forma original naquilo em que somos bons, nas relações humanas.

Se não somos recursos para organizações, o que somos?

Sabemos o que não somos, não somos “o que” somos “quem”. Simplesmente assim, somos infinitos produtores de recursos. O Management 2.0 chega a entender isso, mas não o coloca em prática. Teremos que superar a barreira das palavras bonitas e fazer algo a respeito. Se antes, no management 1.0 fazíamos a coisa errada ao tratar as pessoas como partes de uma máquina, no management 2.0 fazemos a coisa certa da maneira errada, ou seja, sabemos que somos “quem”, pessoas com profissionais e experiências pessoais, mas não aceitamos essas realidades como parte do mundo do trabalho. Temos boas intenções, porém, com hierarquias desatualizadas. Temos que ganhar espaço nas organizações para as pessoas, tê-las como ponto de partida na gestão da mudança e do desenvolvimento organizacional e avançar sem medo no compromisso de gerar valor humano em nossas organizações como um todo. Só assim, por exemplo, no estado, hospitais, sindicatos, empresas, escolas, teremos a condição de imprimir dignidade humana naquilo que fazemos e somos. Assim compreenderão que somos mais do que capital humano nas organizações, somos “organismos vivos” repletos de possibilidades. Uma rede de conhecimento e estratégia que cada um possui e pode enriquecer muito as empresas, por exemplo.

Como dar um passo em direção ao valor humano nas organizações?

A responsabilidade das organizações é de todos nós. Devemos todos levá-la ao nível que desejamos, porque eles próprios nos dão a condição de viver e ter experiência. É de dentro pra fora que a transformação acontece. O Management 3.0 tem conseguido interpretar essa nova fase das organizações, pois trabalha com a ideia do pensamento sistêmico. Agora a responsabilidade é compartilhada e não apenas de uma pessoa. Somos e funcionamos como uma espécie de ecossistema inteligente e não há mais metodologias, mas filosofias de vida onde a colaboração é o caminho. Mas, CUIDADO, é o caminho, não o ponto de chegada. Ainda estamos longe do ponto de chegada, ou seja, da evolução humana nas organizações. Além do gerenciamento 3.0, temos que descobrir inovando o papel que as pessoas desempenham nas organizações. Somos convidados desde a pessoa que SOMOS e o profissional que nos tornamos até hoje a dar respostas corajosas para resolver problemas complexos dentro de uma realidade chamada VUCA (Volatilidade (V), Incerteza (U), Complexidade (C) e Ambiguidade (A) ) Precisaremos de conhecimento e previsibilidade para sermos capazes de dar conta desse ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Lembre-se de que o gerenciamento 3.0 não é mais uma receita ou metodologia mágica que salvará as organizações deste mundo líquido, de acordo com a metáfora de Bauman. Precisaremos de um movimento de inovação, liderança e gestão que redefina o conceito de liderança com a gestão como responsabilidade do grupo. Uma verdadeira filosofia que surge dos desafios da pós-modernidade que reconhece o principal valor nas organizações, o humano. Por isso, algumas organizações perceberam e passaram a cumprir compromissos mais concretos com a implementação de práticas que estimulem a sustentabilidade dentro e fora da perspectiva do pilar mais importante: as pessoas. A transformação mais desafiadora é uma transformação cultural das organizações, uma mudança radical de mentalidade que faz com que nossas mesmas práticas sustentáveis ​​se adaptem a realidades diferentes e diversas ao mesmo tempo. A partir de agora é um compromisso ético com o mundo e com o universo que essas mesmas organizações devem ter e a aliança perfeita são as pessoas, ponto chave nesta transformação. Para finalizar a ideia, o importante é pensar que uma postura ética é essa praticada não só porque alguém está te observando, é feita de dentro como uma boa prática e como alteridade (considere o outro nas suas decisões), ela é mais do que empatia.

Nós somos as pessoas, aquelas que mudarão completamente as organizações, porque em nossa forma mais arcaica está a chave, os relacionamentos humanos.

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